04 novembro, 2010

A Rede Social: "todos os mitos de criação precisam de um demónio"

Desde que ouvi a noticia acerca do filme ‘A Rede Social’ ("The Social Network"
) que tinha imensa curiosidade de ver o filme. O tema é aliciante: o conturbado processo da criação do Facebook, a rede que em pouco mais de meia dúzia de anos causou uma pequena grande revolução não só na Internet, com uma utilização de cerca de 500 milhões de utilizadores em todo mundo, 2,7 milhões em Portugal, mas também uma reviravolta nas relações sociais entre pessoas, e na forma  como milhões de utilizadores expõem diariamente a sua vida privada na internet.

Vi o filme da 2º feira, através da versão disponibilizada para a imprensa, e devo confessar que as expectativas estavam altas. Como é evidente não vou contar a história, mas no fim fiquei com a sensação de que era um filme sem sal, se é que me entendem, com um argumento muito básico.

No geral, acho que o tema não é sobre o Facebook, mas sim sobre as pessoas, sobre as relações sociais, sobre comportamentos, e acima de tudo sobre uma nova geração inapta em termos sociais e incapaz de estabelecer relações humanas. Mas será que actualmente o mundo não está povoado de pessoas tal, como o anti-herói Mark, imensamente sós?

No fim salva-se a banda sonora, realizada pelo Trent Reznor, vocalista dos Nine Inch Nails e por Atticus Ros, que está muito bem conseguida, para não dizer fantástica.
Acho excelente a cena  em que fazem um racor do som com as imagens. Surge a música – “Creep” dos Radiohead na versão do coro feminino Scala – que diz “Wanna have control” e alguém clica em “Adicionar como amigo”, depois “Want a perfect body. Want a perfect soul” e surje um álbum de fotos. Awesome!!!
E só esta pequena cena explica o filme. Awesome again !!!


2 comentários:

  1. Sim, de facto o filme retrata o padrão de comportamentos relacionados com uma geração "dot com", ou se quisermos "geek", que vive imergido numa linguagem de programação informática, tentando transportar para dentro dela as tais vivências e características dos "clubes", mas que descura, contudo, essa própria vivência no offline, agindo numa base puramente lógica e racional, esquecendo o lado e a inteligência emocional que envolve as ligações humanas, na vida real.

    É um filme do Fincher, pelo que tinha expectativas altas, mas, de facto, no fim do filme, senti que passado uma semana já o esqueci.

    Mas o Trent Reznor rula! Vale a pena ter a banda sonora para quem gosta deste génio da música industrial.

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